O Serviço de Acolhimento Familiar da Casa da Criança e do Adolescente de Valinhos Anélio Zanuchi promoveu nesta semana um treinamento de primeiros socorros voltado às famílias cadastradas no serviço. A capacitação teve como objetivo ampliar a preparação dos integrantes das famílias acolhedoras, que atuam diariamente, especialmente com bebês e crianças pequenas.
Ministrado por Glauco Ceranto, enfermeiro da Educação Permanente da Secretaria Municipal de Saúde de Valinhos, o encontro abordou situações de emergência que podem acontecer no ambiente doméstico e orientou os participantes sobre como agir até a chegada de uma equipe especializada. Convulsões, desmaios, alterações no nível de consciência, cuidados com as vias aéreas, posições de recuperação e prevenção da broncoaspiração foram alguns assuntos abordados. “O convite surgiu da Casa da Criança justamente por termos muitas crianças e bebês que ficam com as famílias. A ideia foi trabalhar como agir, como acionar o socorro, a segurança da cena e a segurança do próprio socorrista”, explicou Glauco.
Um dos principais temas foi a obstrução das vias aéreas por corpo estranho, conhecida como engasgo. Os participantes aprenderam procedimentos para atender adultos, crianças e recém-nascidos, além da técnica de autodesengasgo para situações em que a própria pessoa esteja sozinha. A orientação também reforçou a importância de manter a calma, pedir ajuda e acionar corretamente os serviços de emergência. Durante a capacitação, foram apresentados os números 190, da Polícia Militar; 192, do SAMU; 193, do Corpo de Bombeiros; 153, da Guarda Municipal; e 199, da Defesa Civil.
Segundo Glauco, o treinamento também contribui para fortalecer uma verdadeira cultura de segurança entre as famílias acolhedoras. “Se o casal que participou do treinamento tiver uma situação em que um deles convulsione, por exemplo, é importante que o outro saiba colocar a pessoa na posição correta, cuidar da respiração e evitar a broncoaspiração até a chegada do resgate. É uma cultura de segurança”, destacou. A participação das famílias foi considerada exemplar pelo profissional, que ressaltou a responsabilidade envolvida no acolhimento temporário de crianças e adolescentes.
Para Camila Forster, coordenadora do Serviço de Acolhimento Familiar, a capacitação representa uma importante forma de fortalecer a preparação das famílias e a segurança das crianças durante o período de acolhimento. “O treinamento que a gente ofereceu para as famílias acolhedoras é de extrema importância. A gente tem uma responsabilidade muito grande ao acolher as crianças. E poder capacitar as famílias, deixá-las mais seguras também para receber as crianças é da nossa responsabilidade”, destacou.
Segundo ela, a parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e o envolvimento das famílias tornam a iniciativa ainda mais significativa. “Fiquei muito feliz com essa parceria, muito feliz de proporcionar isso para as famílias e de as famílias acolhedoras entenderem a importância de estarem capacitadas, aptas para qualquer adversidade que possa acontecer durante o acolhimento”, completou.
A capacitação terá uma segunda etapa, quando serão abordados outros temas importantes, como traumas e quedas, reanimação cardiopulmonar e queimaduras. Foi trabalhado o conceito de “hands only”, ou “somente as mãos”, que orienta a realização de procedimentos básicos utilizando os próprios recursos disponíveis, especialmente as mãos, enquanto o socorro profissional não chega. “Dificilmente você vai ter um equipamento em casa. Então, é preciso saber como proteger, cuidar e manter esse paciente viável até a chegada de um profissional ou do resgate”, explicou Glauco.
Mais do que ensinar procedimentos, a iniciativa busca oferecer às famílias acolhedoras conhecimento e segurança para lidar com situações inesperadas. O aprendizado adquirido pode fazer a diferença nos primeiros minutos de uma emergência, garantindo que a criança ou o adolescente receba os cuidados adequados enquanto aguarda a chegada do atendimento especializado. Para o Serviço de Acolhimento Familiar, investir na formação das famílias significa também fortalecer a proteção, o cuidado e a qualidade do acolhimento oferecido durante todo o período em que a criança permanece sob seus cuidados.
